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Com R$ 128 Bilhões, Eco Invest ganha escala, beneficia o agro e já mira o 4º leilão que acontece neste mês de fevereiro. Foto: Freepik

Com R$ 128 Bilhões, Eco Invest ganha escala, beneficia o agro e já mira o 4º leilão

Terceiro leilão do Eco Invest mobilizou R$ 52,8 bilhões e atraiu gigantes globais para financiar a transição energética e a bioeconomia no Brasil

“Precisávamos atrair capital do exterior para financiar a transformação ecológica, e o risco cambial era o principal obstáculo.” A frase de Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional, sintetiza a lógica do Eco Invest Brasil, que acaba de concluir seu terceiro leilão na maior escala já registrada.

A rodada viabilizou R$ 52,8 bilhões em investimentos privados em participações societárias, com forte presença de recursos estrangeiros, e, além disso, consolidou o agronegócio como um dos principais destinos desse capital.

“Foi realmente surpreendente”, afirmou Ceron ao comentar o desempenho do leilão focado em equity, modalidade de investimento que envolve participação direta nas empresas e, portanto, maior risco.

Com este resultado, a iniciativa já mobilizou cerca de R$ 128 bilhões em capital interno e externo para impulsionar projetos sustentáveis em todo o território nacional.

O governo já programou o quarto leilão para este mês de fevereiro, com prazo para receber as propostas das instituições financeiras até o dia 25 deste mês. Lançado em novembro de 2025 durante a COP30, o leilão foca em projetos de bioeconomia e turismo sustentável na Amazônia, ampliando o papel do programa como ponte entre o mercado financeiro global e as cadeias produtivas sustentáveis do país.

Por que o Eco Invest foi criado

O Eco Invest nasceu dentro do Plano de Transformação Ecológica do governo federal com um objetivo claro: atrair capital privado, especialmente estrangeiro, para financiar a transição ecológica no país.

Diferentemente de programas tradicionais de crédito público, ele não opera por meio de empréstimos diretos a projetos. Seu papel é atuar nos pontos de maior fricção do mercado, reduzindo riscos que afastam investidores internacionais.

É coordenado conjuntamente pelos Ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima e da Fazenda e conta com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Embaixada do Reino Unido no Brasil.

“O grande desafio era o câmbio”, explicou Ceron. Investidores estrangeiros, que captam recursos em dólar, euro ou iene, relutam em aplicar em países emergentes quando a volatilidade cambial pode corroer retornos. O Eco Invest foi desenhado justamente para mitigar esse risco e tornar os projetos brasileiros competitivos no radar global.

Como foi o terceiro leilão

Não apenas a demanda, considerada “muito agressiva”, chamou atenção, mas também o perfil dos projetos, segundo Ceron, detalhando os recursos captados terceiro leilão do Eco Invest.

“Falamos de tecnologias de fronteira, como baterias, inteligência artificial aplicada à transformação ecológica e novos modelos produtivos”, disse.

Antes dos ajustes regulatórios, o volume potencial de projetos qualificados se aproximou de R$ 80 bilhões. Sinalizando o apetite do capital internacional por ativos verdes estruturados no Brasil.

A transição energética absorveu 64,5% de todos os investimentos previstos, cerca de R$ 34 bilhões. Entre as principais cadeias estão as de SAF (combustível sustentável de aviação): R$ 12,2 bilhões; baterias e veículos elétricos: R$ 9,3 bilhões; biogás e biomassa: R$ 5,2 bilhões; e Sistema de Armazenamento de Energia em Bateria (BESS, na sigla em inglês): R$ 2,8 bilhões.

O exemplo transformador deste capital na cadeia produtiva de SAF pode adicionar até US$ 36 bilhões ao PIB até 2030 e além disso, gerar 620 mil empregos e reduzir 54 milhões de toneladas de CO2. O combustível é produzido a partir de fontes renováveis como óleos vegetais, gorduras animais, resíduos orgânicos e lixo urbano.

A bioeconomia vira segundo maior eixo do leilão concentrando R$ 8,4 bilhões (16%) dos investimentos previstos, com destaque para biofertilizantes e bioinsumos: R$ 4,8 bilhões; e superalimentos (açaí, cacau, castanhas): R$ 2,4 bilhões.

O relatório do Tesouro Nacional projeta que o mercado de superalimentos pode gerar R$ 41,6 bilhões ao PIB até 2030 e criar até 300 mil empregos.

Capital catalítico no centro dos investimentos

No centro do programa está o conceito de capital catalítico. Trata-se do uso estratégico de recursos públicos para destravar investimentos privados que, sem esse apoio, não ocorreriam ou ocorreriam em escala muito menor.

No Eco Invest, esse capital aparece principalmente na forma de proteção cambial, além de outros instrumentos financeiros que absorvem parte do risco.

“O Tesouro entra com o capital catalítico e com a proteção. O mercado entra com o dinheiro, a gestão e a escolha dos projetos”, disse Ceron.

O efeito é multiplicador. No terceiro leilão, cada real público mobilizou, em média, quase quatro reais privados, uma taxa de alavancagem considerada elevada mesmo em padrões internacionais de financiamento verde.

Como funciona o leilão na prática

O Eco Invest opera por meio de leilões competitivos. Bancos e gestoras apresentam propostas indicando quanto de capital privado conseguem mobilizar para cada unidade de recurso público solicitada. Desse modo, quanto maior essa proporção, maior a chance de a proposta ser selecionada.

No terceiro leilão, o foco foi equity, ou seja, investimentos feitos por meio de participação societária em empresas e fundos, e não por dívida.

Esse modelo tende a financiar projetos mais inovadores, com maior potencial de retorno econômico e impacto estrutural, mas também com ciclos de maturação mais longos. “Equity é mais difícil, exige mais confiança. O resultado mostra que o mercado entendeu o programa”, avaliou Ceron.

De onde vem o capital estrangeiro

A atração de recursos internacionais é o eixo central do Eco Invest. Nos dois primeiros leilões, focados em dívida, o perfil predominante foi o de grandes investidores institucionais estrangeiros. Sobretudo da Europa e dos Estados Unidos, que captam recursos em seus mercados de origem e aplicam no Brasil com proteção cambial.

No terceiro leilão, o perfil se diversificou. “Entraram casas de investimento, muitas norte-americanas e europeias, além de um aporte relevante do governo japonês”, afirmou Ceron.

Por outro lado, também há interesse crescente de empresas chinesas, especialmente em cadeias ligadas a baterias, veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia. Esse mosaico de origens reforça a inserção do Brasil no circuito global do financiamento verde.

Do papel à execução

Segundo o secretário, os efeitos do Eco Invest já começam a aparecer na economia real. Projetos dos primeiros leilões, ligados a saneamento, energia e recuperação de áreas degradadas, já entraram em fase de execução.

No caso do terceiro leilão, o ciclo tende a ser mais longo, típico de investimentos em equity, mas a estruturação dos fundos e a seleção das empresas indicam um pipeline robusto de projetos ligados ao agro, à bioeconomia e à transição energética.

Transparência e próximos passos

Apesar do volume recorde, os dados do terceiro leilão ainda são preliminares. Contudo, o resultado final passará por auditoria financeira independente e por uma Second Party Opinion, avaliação externa que atesta a aderência ambiental dos investimentos. A consolidação está prevista para o primeiro semestre de 2028.

O acompanhamento público ocorre por meio do Monitor Eco Invest, plataforma que detalha projetos, localização, volumes de recursos públicos e privados e estágio de execução.

Com R$ 128 Bilhões, Eco Invest ganha escala, beneficia o agro e já mira o 4º leilão

“Queremos que o Eco Invest seja uma referência mundial em financiamento da transição ecológica para países emergentes”, afirmou Ceron.

Com o quarto leilão no horizonte e o interesse estrangeiro em alta, o programa tende a ampliar ainda mais o fluxo de capital global para o Brasil. Com agronegócio no centro dessa engrenagem estratégica.

Fonte: forbes